20.9.17

saturno em domicílio

é dela a textura dos cachos casi preenchendo o segundo dedo meu.

- belo anel, se conchas fossem...

falatório de borbulhas entre peixes. 
da sala encaram, não a mim, mas meu estado 

contemplativo & circular.

percebo o julgamento no mover das barbatanas.

acho graça 

e
uma ponta involuntária de deboche 
surge numa boca que não reconheço.

é saturno refletido na distorção do aquário 

retornando
   retornando
      retornando


enquanto....

não
me
movo.

...

algum ponteiro 
demarcando
sete ou nove 

- pouco importa -

pássaros notívagos
já calaram a
encantaria

não competem
tua presença

deixam-te, ali,
olhos rasgados
baixo um sol

quente demais pra 
ser
manhã

- fosse no sertão...

teu murmúrio 
sem abrir
pestanas

a boca lenta
perscrutando
frutas

e eu com folhas
secas na varanda...

um pensamento
audível o suficiente

mas não tanto que
precisemos falar

11.9.17

o cello sou eu

costela a costela
o arco

arranca de mim
um som inaudível

prece miúda
e preta

lágrima
suspensa

entre
retina
y esterno

- faz ossatura
palpitar pr'além
de entendimentos -

vem dizer
no toque da madeira
em corpo

d'um
maleável mistério

que se move

- até o desejoso
aqui....!.-

lento & grave

através dos
acordes silentes

31.8.17

3 a.m

Para Nina Ferreira

plexo-okan
irrequieto

cantoria
de acauã
madrugada

pensa
que é
manhã

- tadinho -

mas é
hoje

ainda......
............ainda
ainda.........

peito-sedento
y cedendo

à noturna
calmaria

de bocadin'
pressiona
dedo mindin'

chakra
cardíaco

espana num
gesto

ori-
multidão


28.8.17

a realidade vem


é preciso olhar o real.

deserto
palavra

tu 

multo
dentro
do quarto

y de mim.

é preciso olhar o real.

pr'além do
uma vida-toda
ou nunca-mais

condensado
no tempo
mesmo
do agora

que é.....

preciso olhar o real.

despir
fantasias
fora de época

e encarar o
que é

o corpo do possível

mesmo.

e é alguma
espécie
de dor

o ato singelo

d'
desatar o s
do nó

feito mar
sem marinheiro
nunca


olhar


    olhar


            olhar


até alcançar a
fundura
silenciosa 
molhada

num
[des]
conforto

que se revela
contrário

daquele pulo
ardendo-febre
q'inda bem

tive medo¹. 



¹mesmo cê me dizendo, baixinho, pra não ter, mas tendo também.