13.6.18

junina

lasca de fibra
em peito profundo

estraleja que nem
brasa em solas

no meio do pulo.

ma'calma, coração...

inda é tempo
ser fogueira




.


5.6.18

o amor também pode ser uma coisa calma

tá tudo bem escrever amor.

inda que derrame
inda que o caos
clame d'outro lado

querendo invadir
as frestas da porta
trincando janelas
da casa tão cheia

denós

[mas, sem nó algum]

se esfola
e

fica pra fora
junto do frio

que o peito hoje
bate pra dentro
da carne quente

e calma

tá tudo bem, amor.
tá tudo bem, sentir
-se bem também.

29.5.18

ciano

"eles não sabem que é o mar
que nos ensina a navegar"
aline frazão

naquele sonho em que eu amanheci
tudo era azul

mergulho em ciano
enevoado

ninguém via a objetiva
fluida

e solta

meio a sacola plástica

ruidosa como mar
sem ser

além
sonoplastia

tudo profundo
em névoa azulada

ciano
arranjado
para inebriar

quando amanheci
e era sonho

fluido
em que
se via solta

a sacola flutuando
meio ao universo

dourado
ora iêiê ô

sustenta
meu ori

na delicadeza
de dois dedos

como pipa dos moleques
que vivem agitados
demais

a rua do dia
seguinte

mas quando sonhei
uma penumbra
viva

era morno
e blue

a objetiva registrando
sem registrar

o frame
ruídoso

das ondas

contrastando
o lusco-fusco

nas marés
profundas

sem mar


plural

misturando-se a brilhantina
festiva de mil sóis

todos eles

lumereflexos
espraiados pelas dunas

gregária

num sabe se é poeira
do vento ou das praias

retroalimentada

deixa palavra morder seu queixo

[sem prever que desdenha a fruta já mordida,
quando segreda o gosto intranquilo de amor]

decifra as tuas fissuras!
sussurra

antes de esfarelar numa velocidade
tão única que não se sabe
ligeira ou estática

arranhando o novelo miúdo
de finas digitais

cobre com panos
velhas feridas

e assiste a água irromper
silente

tão aparentemente banal e sem mistérios
tão oposta as margens laminadas

turva
e
singular




16.4.18

cavalos

tem sempre um verso que quer nascer,
mas demora que casi
(g)estaciona

e eu fico aqui, quieta,
olhar pousado em cavalos
bailando crinas volumosas

(como os oitis que fazem sombra
na restinga)

revoa os entornos deste amor
convocando melodias
em meu plexo

mas num me tiram da
a(ssas)sina
melancolia da palavra

num rasguinho
casi miúdo demais prasivê

tem sempre um silêncio moroso
espreguiçando-se
na esquina 'qui de casa

me acompanha mesmo que
de mim nem a fuça se aviste
na janela

e eu fico aqui, quieta,
contando os meses do poema

sonhando, ainda, com cavalos
aos pés da serra

bailando feito árvores
breves despedidas

ressequindo lábios
que mal deixaram a sede,

ceder.