13.8.17

missiva marítima



di-fusão sem
horário

é
contra
-tempo

d'um passo
pousado


[acon]
chega
mansinho

mesmo
quando

é pau
é pedra

[há de ser
caminho]

paixã preta
que rima

faz do mistério
uma graça.

que nem andorinha
antes do voo

na memória da
fotografia.

28.7.17

irresolvível desejo ou qualquer coisa de sonho

"há uma filosofia...

depois de muito, despertar ensopada sem febre, ou febrão, dos momentos pontuais. 

qual fome amena saciar com liquido envelhecido no criado mudo, talvez chá já esquecido, talvez erva de são joão e camomila, ainda possível distinguir uma florzinha do fundo arranhado da caneca. levar tempo desmedido rememorando cada verso, reconhecer em poética um histórico de gozos esparsos.

acordar ensopada como houvesse me surrupiado a madrugada aquela paixã, pássaro em voo suave pela fresta da janela, um suspiro tão não meu e, ainda sim, eu todinha, sem estranhamentos.

...do 
quem nunca comeu...


perceber que conforme o ar me saí a memória se finca em território mais lúcido: regalo do inconsciente desvelando mistério d'água. entre o onírico e o ancestral, gosto de maboque sob as unhas, mas não todas, somente as minuciosamente lixadas. todas las demás, irregulares, conservando alguns pontículos d'areia, qualquer coisa de mar, como houvesse atravessado a madrugada com mãos enfiadas nas margens da praia do bispo ou do rio paraguaçu.  

....tem 
por resolver...


navegando entre sinestesias e marés, sempre lá a tua imagem, vivida, corporalidade em movimento sinuoso que não deixa saber se é pra mim a direção da dança, serena, sereia, num canto que arrasta sem alcançar de facto, desmistifica enquanto sobrepõe miríades de mitos, ritos e confissões outras. diálogos em linguagem de duplos que pedem calma e funduras.

depois de tanto, de repente não ressequida. despertar com ligeiros espasmos no além dos cordões que sustentam essa embarcação, sem saber ao certo qual foi a narrativa dessa foz.

permanecer na manhã,  em tua breve lembrança, num sabor de fruta encharcada na palma d'um sonho bom.  


...problemas difíceis
da líbido"
paula tavares | maboque

18.7.17

{filho da força é bineyamiyn}

no destempero cotidiano

se houver clemência
é na boca dos corpos notívagos:

transeuntes febris dessas ruas
onde atravessamos solapados

sob o lume do desenfreio
minguante

[ou é crescente no agora?]

se houver clemência
é esse piano friccionado

por dedilhares tão pretos
quanto o negrume da
noite

prece de força contra
o açoite que mais que
rima do verso

é clichê em nossos dorsos.


12.7.17

alinhavo



fortuna é ter dois caminhos para um retrato: 
reter na palavra o que escoa da imagem.



espécie de respiro do escritório:

criar adivinhança se é hoje 
ou amanhã 
a tua folga.

perscrutar vestígios entre 
o meio-fio 
e a calçada,

fariscar o dissipado 
aroma das folhas:
é presença ou saudade?

tem dias que.....

e noutros

esguia figura num baile sutil 
de mãos,
regador e plantas,

o tempo das podas 
no enquadramento exato
de tu[a natureza]:

os dreads imiscuindo-se 
em caules
festivos,

a seiva pulsando os corpos 
que atravessam esse encontro,

eu, de passagem,
casí oiço a risadaria
do jardim,

mas não atravesso
a timidez d'um olhar
desguiado:

breve beija-flor
alinhavando cotidiano
em doses de néctar.

29.6.17

do desejo: essa cal [ma?]

ao cigano


como se
ocu(l?)pa

o que é da 
(des)ordem

d'um desejo
anímico?

_silêncio
__silêncio
___silêncio


(e dentro de cada,
tanto: a noite,
teus olhos, uma gruta,
um baiacú - que há sempre peixe 
com poder de veneno
nesse ir e vir.... -
aquela carta rasurada com
litorânea cartografia
[astral?])


até que o mar
se pronuncie

pela linguagem
de kianda

~~~~~~
~
~~~
~~~~~~~~~
~~

de pouquinho
ondulações
fazem revelar

se

é remanso
ou tromba d'água

o rebuliço
dessa sede.