6.7.18

mel em salmoura

salmoura
foi ferida desaguada
da carne pronta
pr'a dor

sal mora
mirada adentro
desata o nó do
cansaço em color

rubro q'arde
okan da retina

faz alarde
ninguém ouve
olhar que palpita

então,

chama
chama
chama

nestes pés
que dançam

à energia
telúrica

chama

inteligência
mais velha que
expande tambor

pelo todo do corpo
da filha mais nova
enredada entre ewés

chama

[en]canto
pr'a ossain
banhar cura

reacender
memória
em folhagens

botando mel
na memória
da carne viva

chama
e confia

tua sina não é essa dor

29.6.18

ciática

queima que nem pele
recostada em água
fora do bule

arde que nem sente
a navalha riscar o
início

do
corpo
numa

(mesma
sempre)

sentença de gado
na aurora do galo

na luz mais bonita
pra fotografia

(a mesma das seis horas
da tarde)

resiliente

segue ofício de
esparramá mistura
vulcânica

sobre o nervo mais
longo do silêncio
mais rijo

queimando lenta espessa
no desdobrar das horas
na mesma hora pausada

quinem a lua cheia
(y laranja) demais

anoitece d'vagar
na grafia
de cinco prédios
irregulares


21.6.18

13.6.18

junina

lasca de fibra
em peito profundo

estraleja que nem
brasa em solas

no meio do pulo.

ma'calma, coração...

inda é tempo
ser fogueira




.


5.6.18

o amor também pode ser uma coisa calma

tá tudo bem escrever amor.

inda que derrame
inda que o caos
clame d'outro lado

querendo invadir
as frestas da porta
trincando janelas
da casa tão cheia

denós

[mas, sem nó algum]

se esfola
e

fica pra fora
junto do frio

que o peito hoje
bate pra dentro
da carne quente

e calma

tá tudo bem, amor.
tá tudo bem, sentir
-se bem também.